Esse eu quero ler
Antes de você.
Sorry, é assim que deve ser
Quero também te despir
Antes que você perceba.
O resto é inconfessável:
Páginas de livro são puras donzelas
Não podem ouvir
Nossas ardentes selvagerias.
Sexta-feira, Julho 03, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Estrela-do-mar
Com ela não há escolhas
As prendas nos cabelos
São selos
Libelos
Arrancados de um mar de silêncio, de dor, de
Inevitável
O mar é inevitável
Ninguém escolhe a onda que quebra
Ao lado da cama
Só há o desespero
Única palavra permitida
Que pode
E deve
E o faz
Diz: 'eu existo'
No oceano dela
Barcos não enferrujam
Nem navegam
Ninguém mergulha
Nada
Pesca
Não há peixes. Não há peixes
Nela só se naufraga
E se afoga
E tudo se transforma
Em corais.
De todas as cores
Crustácea vida
Salgada e formosa
Impressão de mar sem fim
O mundo é o que é
Ela é a prova do mundo
E eu gosto dela
As prendas nos cabelos
São selos
Libelos
Arrancados de um mar de silêncio, de dor, de
Inevitável
O mar é inevitável
Ninguém escolhe a onda que quebra
Ao lado da cama
Só há o desespero
Única palavra permitida
Que pode
E deve
E o faz
Diz: 'eu existo'
No oceano dela
Barcos não enferrujam
Nem navegam
Ninguém mergulha
Nada
Pesca
Não há peixes. Não há peixes
Nela só se naufraga
E se afoga
E tudo se transforma
Em corais.
De todas as cores
Crustácea vida
Salgada e formosa
Impressão de mar sem fim
O mundo é o que é
Ela é a prova do mundo
E eu gosto dela
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009
Descompasso
Ai mãe, são sempre as mesmas coisas que voltam. O passado está sempre a me assombrar, como um mendigo pedindo esmola rindo. Rindo porque o filho da mãe não é mendigo coisa nenhuma, é podre de rico - é o passado que é sempre presente, é dor e alegria que se repetem e se confundem, é uma fotografia dentro de outra fotografia, é uma
filho da mãe!
Tudo volta sempre, mãe, e era pra você estar aqui e me explicar por quê. Por quê? Por que eu não saio do lugar mesmo andando rápido, gastando a sola do tênis que já cansou de andar até antes das minhas pernas, por que minhas pernas são finas e mesmo compridas não acompanham a rotação da Terra, essa bola azul que gira somente rápido o suficiente para me deixar pra trás, e eu sem nem saber o que dizer praquela gente que passa e
Por quê?
Eu sempre canso de pensar nessas coisas, então resolvo viver, pois, ao contrário do que pensam, não é tão difícil assim, e até traz felicidade, se você for um bom menino. Tento amar, trabalhar, me exercitar 3 vezes por semana e me tornar mediocremente grande - ou um grande medíocre - e ficar satisfeito com isso. Mas o que acho, mãe, que tenho que fazer é ir na fábrica e encomendar o mais rápido carro que já se construiu; assim espero fugir do maldito falso mendigo que me espreita, e tentar quem sabe acompanhar a rotação da Terra e das pessoas, e perguntar "e aí, gente? giramos! giramos juntos, eu e vocês! vamos trocar uma idéia!", e quem sabe de uma hora pra outra passar a ser aquele que dá conselhos em vez de os procurar em você, mãe, em vez de
Mãe,
Crescer é perceber que se está sozinho?
filho da mãe!
Tudo volta sempre, mãe, e era pra você estar aqui e me explicar por quê. Por quê? Por que eu não saio do lugar mesmo andando rápido, gastando a sola do tênis que já cansou de andar até antes das minhas pernas, por que minhas pernas são finas e mesmo compridas não acompanham a rotação da Terra, essa bola azul que gira somente rápido o suficiente para me deixar pra trás, e eu sem nem saber o que dizer praquela gente que passa e
Por quê?
Eu sempre canso de pensar nessas coisas, então resolvo viver, pois, ao contrário do que pensam, não é tão difícil assim, e até traz felicidade, se você for um bom menino. Tento amar, trabalhar, me exercitar 3 vezes por semana e me tornar mediocremente grande - ou um grande medíocre - e ficar satisfeito com isso. Mas o que acho, mãe, que tenho que fazer é ir na fábrica e encomendar o mais rápido carro que já se construiu; assim espero fugir do maldito falso mendigo que me espreita, e tentar quem sabe acompanhar a rotação da Terra e das pessoas, e perguntar "e aí, gente? giramos! giramos juntos, eu e vocês! vamos trocar uma idéia!", e quem sabe de uma hora pra outra passar a ser aquele que dá conselhos em vez de os procurar em você, mãe, em vez de
Mãe,
Crescer é perceber que se está sozinho?
Sexta-feira, Julho 11, 2008
Terça-feira, Abril 22, 2008
Página n°161, frase n° 5
"- Qual! Essas garotas chegam aos bandos e fazem sempre isso. Chegam, vão embora, sem nunca dizer nada a ninguém."
Tudo bem, são 3 frases, mas não acho que a Mariana vá brigar comigo por causa disso.
O livro é "A Brincadeira", de Milan Kundera, e não, ainda não cheguei nessa página. Aliás, nem comecei a ler, mas estava na beira da cama, ao alcance da mão, e isso basta para as regras da brincadeira.
Ah! A brincadeira de que falo é uma dessas coisas de socialização entre blogs, sei lá. É pra você escrever no seu blog a 5ª frase da página 161 do livro mais perto de você, e passar a brincadeira adiante. Tão divertido quanto inútil. Se bem que a frase destacada ali em cima é bem útil pra rapaziada. Prestenção, pessoal. Essas garotas não são moleza...
Tudo bem, são 3 frases, mas não acho que a Mariana vá brigar comigo por causa disso.
O livro é "A Brincadeira", de Milan Kundera, e não, ainda não cheguei nessa página. Aliás, nem comecei a ler, mas estava na beira da cama, ao alcance da mão, e isso basta para as regras da brincadeira.
Ah! A brincadeira de que falo é uma dessas coisas de socialização entre blogs, sei lá. É pra você escrever no seu blog a 5ª frase da página 161 do livro mais perto de você, e passar a brincadeira adiante. Tão divertido quanto inútil. Se bem que a frase destacada ali em cima é bem útil pra rapaziada. Prestenção, pessoal. Essas garotas não são moleza...
Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
Decisão
Devo beijá-la, feri-la? Devo trocar seu nome, fazê-la outra coisa, manipular alguns pedaços de céu e menti-la? Será que devo amar-lhe, roubar-lhe goiabas de seu pomar? Lanço-lhe beijos do jardim ou arremesso-lhe pedras do outro lado da rua? Quebro seu telhado? Faço-lhe um almoço? Compro-lhe um bonequinho inútil? Ou simplesmente a deixo passar, e prendo a respiração. E morro metade de mim, e choro sem lágrimas, e a última coisa que vejo é seu calcanhar a fugir?
Terça-feira, Outubro 30, 2007
Bárbara
"Não havia dúvida, porém, quanto ao que exigia: todo o ouro e toda a prata da cidade e entrega de todos os escravos de sangue bárbaro. 'Que é que nos deixa, então?' - perguntou o emissário. 'A alma' - respondeu ele".
Fel de bronze e ferro, cerra os olhos dos homens; lhes escancara a carne.
Intempestiva e inexorável,
da terra aos confins
leva seus lírios negros
E espolia-nos a todos. Flamejante o seu cabelo
em ruínas faz os olhares do mundo.
Passa com vento, chuva, fogo, sangue; e cheiro e caminhar de fêmea.
Indefesos, lhe chamamos selvagem. Que sitia e incendeia, vence nossas torres e bastiões. Carnificina-nos.
Leva seu ouro e sua prata, seus espólios manchados de gozo. Impõe um tributo silencioso, de respeito e gratidão ignóbil. Porque nos deixa vivos.
Sim, lhe somos gratos. Pois o único momento em que a Terra - essa coisa inanimada e burra - sabe-se viva é quando passa a devastação, e os campos só nos têm amizade quando lhes é ceifado o grão, com a foice sedenta de pescoços. Da mesma forma, nos vemos vivos, quase imortais, depois que ela se vai. É que da sua boca em disparada pinga o nosso sangue, espalhando-se por todos os cantos, e assim fazemos parte de tudo o que há.
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