sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Descompasso

Ai mãe, são sempre as mesmas coisas que voltam. O passado está sempre a me assombrar, como um mendigo pedindo esmola rindo. Rindo porque o filho da mãe não é mendigo coisa nenhuma, é podre de rico - é o passado que é sempre presente, é dor e alegria que se repetem e se confundem, é uma fotografia dentro de outra fotografia, é uma

filho da mãe!

Tudo volta sempre, mãe, e era pra você estar aqui e me explicar por quê. Por quê? Por que eu não saio do lugar mesmo andando rápido, gastando a sola do tênis que já cansou de andar até antes das minhas pernas, por que minhas pernas são finas e mesmo compridas não acompanham a rotação da Terra, essa bola azul que gira somente rápido o suficiente para me deixar pra trás, e eu sem nem saber o que dizer praquela gente que passa e

Por quê?

Eu sempre canso de pensar nessas coisas, então resolvo viver, pois, ao contrário do que pensam, não é tão difícil assim, e até traz felicidade, se você for um bom menino. Tento amar, trabalhar, me exercitar 3 vezes por semana e me tornar mediocremente grande - ou um grande medíocre - e ficar satisfeito com isso. Mas o que acho, mãe, que tenho que fazer é ir na fábrica e encomendar o mais rápido carro que já se construiu; assim espero fugir do maldito falso mendigo que me espreita, e tentar quem sabe acompanhar a rotação da Terra e das pessoas, e perguntar "e aí, gente? giramos! giramos juntos, eu e vocês! vamos trocar uma idéia!", e quem sabe de uma hora pra outra passar a ser aquele que dá conselhos em vez de os procurar em você, mãe, em vez de

Mãe,

Crescer é perceber que se está sozinho?

Um comentário:

Graci disse...

Muy, muy belo.